Cem dias entre céu e mar
Quando eu recebi a indicação desse livro imaginei que seria um livro de aventura e é! Quando mostrei para minha irmã ela disse que era um livro de auto-ajuda, também pode ser! O mais importante é que esse livro discute apenas um tema, essencial, puro e simples: sonho. Obviamente o livro não disserta sobre sonhos explicitamente. Ele não elabora filosoficamente sobre o assunto como fazem, habitualmente, os livros de auto-ajuda. Entretanto ele fala de sonhos de um jeito bem peculiar. Amyr Klink conta seu sonho de atravessar o atlântico a remo e mostra o esforço e o quanto ele lutou para conquistar seu sonho. É impressionante, mas solitariamente ele faz estudos, planeja a viagem e muito batalha atrás de patrocínios e no fim ele consegue atingir todas as suas metas, as vezes saindo-se melhor que o esperado. Obviamente ele enfrenta muitos desafios, simplesmente coisas que ele não previu. As partes mais interessantes são suas várias interações com os diversos bichos do mar. Focas, golfinhos, baleias peixinhos e tubarões, todos são personagens ativos em sua história. O valor que Amyr dá a cada um deles (inclusive dando nome a um dos peixinhos) é inigualável. Impressiona também o respeito pelos animais e a sua capacidade adaptar-se ao ambiente, varias vezes de forma forçada mas muitas delas de forma espontânea. Ele ensina tudo de forma tácita, sem quebrar o ritmo.
O que mais me impressionou neste livro foi a construção. Até a página 90 ele estava a menos de 1/3 do seu caminho percorrido e, sem correrias, ele chega ao fim da jornada em menos de 70 páginas. O estilo da escrita, que parece um diálogo de quem conta uma história pessoalmente é extremamente acalentador e rico de cultura. Quase nunca peca nos termos navais, para as poucas vezes que o faz, existe um glossário de termos nas últimas páginas.
Leitura obrigatória para todo leitor Brasileiro.

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